segunda-feira, 13 de junho de 2011

Wish You Were Here

E aí, o que vai fazer hoje? Tô louco pra te ver. Bjs” era o texto do torpedo que acabara de chegar no seu celular interrompendo sua leitura e reflexão sobre umas SMSs mais antigas. Não fez charme e em menos de um minuto enviou àquele número uma resposta: “Vou ficar em casa, mas hoje não tô a fim, tudo bem? Semana que vem a gente se fala. Bjs”.

Era sábado, fim de expediente semanal de trabalho e Matheus queria repetir a mesma dose de sexo da semana passada com Mariana. Mas ela não estava a fim de ir pra a cama com o rapaz; não depois de ter-se deitado sozinha no escuro de seu quarto em sua cama, um clima não triste, mas muito confortável e propício para sua consciência se ativar. Acho que ele teria dado sorte se ligasse mais cedo. A moça tivera uma semana intensa, cheia de trabalho. Sem tempo até para se coçar, não pôde nem pensar em Rafael.

Rafael era assunto complicado, daquele tipo que irrevogavelmente deveria sair da mente, mas não sai. Quem já sentiu as dores da paixão compreende bem como é esse choque tão agridoce. “Agridoce” ainda é pouco pra descrever algo com sabores tão fortes e diversificados uns dos outros.

Rafael tinha sabor de doce de morango quando se preocupava em saber onde ela estava, se estava bem ou não, e se não estava, por que não estava e como poderia fazê-la se alegrar. Rafael tinha sabor de algum doce fino de festas chiques quando ela via no rapaz a franqueza inexistente na maioria das pessoas e quando, do nada, ele a surpreendia com algo. Mas Rafael tinha gosto de comida gordurosa quando fazia drama à toa, trocadilhava as coisas sempre sérias que a moça séria dizia e quando, não dizendo palavra alguma, se recusava a dar prosseguimento às DRs daquele casal louco.

E, quiçá, o pior sabor de todos foi o de tangerina mordida até a semente quando, do nada, mudou e se afastou de Mariana. Tudo proveniente dele passou a ter um gosto ruim, inclusive aquelas mulheres com quem o cara se envolvia e que sua pseudo-namorada, a Mariana, acreditava ser só aventura carnal e, tranqüila e segura, dizia “não ligo se você tiver outras mulheres, eu só não quero que você minta pra mim”. Quem sabe agora ele não tinha se apaixonado por uma dessas?

Essa dúvida eterna era atordoante, e só uma coisa a tornava dormente... Sexo. A cada gozo arrancado de Matheus, uma vitória idiota. A cada gozo seu, uma vingança também idiota. “Até quando?” era a pergunta feita mentalmente a si mesma logo depois do êxtase provocado pelas carícias vulgares em seus seios, glúteos, vulva e em tantos outros lugares daquele corpo.

Aquelas noitadas estavam perdendo a graça, pois na alma feminina sempre havia romantismo. As mulheres não agüentam ficar só no sexo por sexo, elas precisam de amor, mesmo quando ele é sinônimo de lamúria. “...Running over the same old ground, what have we found?” foi o que Mariana decidira ouvir enquanto, mais uma vez, saboreava Rafael. Era a prova de que ele (ainda) não era insípido.

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