domingo, 5 de fevereiro de 2012

Tranquila-mente


Olá. Esta postagem não diz respeito a nada em específico. O dia hoje está sem-graça. Meus amigos só me alegrariam caso me fizessem dar umas boas risadas regadas a besteiras. (Acabei de entender Fernando Pessoa: "felicidade requer idiotice") Mas STOP! Que isso, Raisa?! Ninguém deve carregar a obrigação de te alegrar nem de entristecer. Nem de te causar sentimento algum. Afinal é você mesma a responsável por tudo o que sente. Na verdade, nem sempre... mas não quero discutir sobre tal coisa agora. Importante é que meus amigos são umas pessoas lindas, uns verdadeiros colírios para os olhos do meu cérebro e do meu coração.
Como você deve saber - se ler meu texto logo depois dele ser publicado - ou talvez lembre, caso tenha uma boa memória e se estiver lendo estas palavras daqui a uns dois anos, Salvador está, eu suponho, umas três vezes mais caótica do que o normal por causa da greve da PM. (Calma, nem deve ser pra tanto. A amadora a vos escrever não é muito normal e tem certas paranoias).
Não sei qual a causa disto, mas do nada alguns dias ficam tão feios... Hoje é um deles.
É 13:27 da tarde e eu ainda não tomei banho nem penteei o cabelo, olhem só! Estou deitada na cama (desforrada ainda, por sinal) e meu guarda-roupa deveria mudar de nome para guarda-bagunça - observe um fragmento dele na imagem - e meu ventilador está ligado. Não irei tomar banho agora nem muito menos tratar de arrumar uma bagunça MINHA e feita por MIM. Minha mãe fica doida, coitada, pois ela sempre detestou desorganização. Se bem que... a desordem pode, sim, ser uma forma de ordem: no meio de embalagens plásticas vazias, cremes de cabelo, desodorantes e perfumes perdidos e misturados entre si, folhas de papel importantes que se escondem entre cds, EU consigo me achar. Tudo bem, admito: às vezes fico da vida por me envolver numa peleja Raisa versus Bagunça cujo objetivo é encontrar uma coisa qualquer perdida entre outros trilhões de coisas. Mesmo assim, a vitória quase sempre é minha.
Hoje é Domingo, amanhã é Segunda e eu terei de ir trabalhar. Comecei lá na empresa onde eu estou (caso me perguntem, não vou responder o nome do lugar) no dia... erh... não sei! Comecei lá no fim de agosto de 2011, pronto. Sou estagiária. Faço Gestão de Recursos Humanos - por acidente - numa instituição de ensino superior privada (a regra é a mesma para a empresa na qual trabalho: não vou declarar seu nome). Recebo dinheiro pelas seis horas diárias durante cinco dias de cada semana em que estou lá dando minha dedicação àquela organização e isso é muito bacana; sinto-me parcialmente independente quando o assunto é dinheiro. Recebi alguns elogios no estágio e isso também me deixou contente; me senti valorizada. É a primeira vez na vida que eu estou trabalhando. Antes eu tinha medo, não sabia se eu serviria para alguma coisa ou se não serviria (olha aqui eu sendo paranoica de novo), porém é tudo questão de tempo, você se adapta e pronto. Não sei dizer se gosto ou se não gosto dessa atividade com a qual estarei envolvida por, pelo menos, um ano, se tudo der certo. Sendo honesta convosco, não tenho pretensão de continuar lá, pois ainda é cedo. Ainda tenho muita coisa a aprender, só tenho quase vinte anos.
Volta e meia minha mãe fala de concursos públicos dizendo "por que você não se inscreve, Raisa? É estabilidade pra o resto da vida". Analisemos: estabilidade pro resto da vida é igual a ganhar bem e não correr o risco de ser demitida quando bem quiserem fazê-lo. Estou fora dessa, concurso público é para os velhos, aqueles experientes e com uma família nas costas pra sustentar. Ter uma família pra sustentar. Eu tenho uma família pra sustentar: eu, minha mãe e meu pai.
Diferente do de quase todo mundo de faixa etária igual à minha, o meu pai é um cara de setenta anos. E ele ainda tem de trabalhar, do contrário nós três não viveríamos direito. Quando isso toca a minha razão e o meu sentimento é que eu penso se deveria fazer o que quero ou o que minha família precisa... E fico reticente, mais reticente que esta última frase. Já pensei em tanta profisssão... E ultimamente tem passado pela minha cabeça unir o que eu quero (jamais as pessoas "o que eu gosto", afinal você ainda não trabalhei com aquilo e ainda não posso, de fato, gostar daquilo!) e o que eu acho que a sociedade precisa.
Discuti sobre isto com minha amiga esta semana. Eis o que lhe desabafei: "Velho, entenda que eu preciso fazer alguma coisa na vida. Eu não posso ser sustentada por meus pais a vida toda, tampouco não posso deixar que eles se sustentem sozinhos, tenho que trabalhar não porque eu quero, mas porque vou precisar. E não sei se quero ter exatamente estabilidade financeira. Eu cheguei à conclusão de que as pessoas são preocupadas somente consigo e com sua família: 'vou ter um trabalho de qualidade porque preciso dar dinheiro a minha família'. Mas o que é um trabalho de qualidade? É um trabalho que lhe dê muito dinheiro e outras regalias? Poxa, e sua contribuição para a sociedade (na qual você mesma está inserida, move e é fruto dela), vei? Eu penso em fazer isso através da Psicologia, trabalhar como psicóloga infantil, ganhando algum dinheiro, é claro, mas não levando isso como prioridade. A infância é uma parte muito importante da vida da gente, é a base dela. Queria me dedicar a crianças... ou a educação contribuindo com o que eu acho que deve ser feito pra as coisas darem certo (ou menos errado no mundo)."

Bem, é isso. E a dúvida continua passeando pela minha tranquila-mente até o momento que minha vida assassine-a e ponha outra em seu lugar. É sempre assim comigo. E com você também.

4 comentários:

Rafaela Barbosa disse...

Bem... Comentarei por partes! Hahaha...
Primeiramente tenho que lhe dizer que Salvador está mesmo um caos, não é paranoia sua, Rai! Eu posso te dar certeza disso, passei por poucas e boas na última quinta-feira! KKKK
Me identifiquei bastante com o seu texto, principalmente com a questão da bagunça e da indecisão... Eu sou o ápice da indecisão quando se trata do meu futuro, da profissão que eu irei exercer. O principal problema quanto a isso é que não sei se vou conseguir conciliar o que eu quero com uma situação financeira estável (ter minha casa, pelo menos um carro, comprar o que quiser e passar o mês tranquila), logo isso me leva a não saber o que quero. Meu problema é que sou muito ambiciosa... Hahaha, e não nego! Adimiro a sua preocupação em fazer algo importante para a sociedade, pois desta forma ficará satisfeita... A gente tem isso, né? Essa vontade de fazer o bem, por mais que alguns neguem, ou ocultem. Rs... Tenho certeza que você vai ser uma ótima psicóloga, ou linguista, ou o que quer que queira ser!
Amei o texto, confesso que me deu saudades de conversar com você, da sua pessoa! Hahaha... Beijo! *-*

Rafaela Barbosa disse...

Esqueci de mencionar que concordo com a sua mãe quanto a estabilidade financeira que um concursado vem a ter, porém devo acrescentar que tal estabilidade causa um comodismo na pessoa... Acho que, por hora, quero mesmo passar eu um desses concursos por ter pressa para ser independente (não é a toa que faço concursos a torta e a direita rsrs) mas meu foco principal é em crescer em uma determinada área, ser muito boa naquilo. Agora não me lembro muito bem de quem é essa frase, mas gosto dela, é mais ou menos assm: Mantenha o foco em algo, e isso se expandirá. Nesse momento de escolha nós temos que manter o foco, senão nos perdemos em meio a tantas opções, ou nos acomodamos nos contentando com pouco, podendo ser muito mais!

Anônimo disse...

Essa dúvida acontece com todo mundo infelizmente...estou passando por um momento bem parecido. Apesar de já ter escolhido o que eu queria ser e ter me formado nisso, estou tomando um rumo totalmente diferente em busca desse "futuro estável". Gostaria de fazer algo para contribuir com a sociedade em que vivo também, mas o tempo passar muito rápido. Outro dia eu estava entrando na faculdade sonhando em ser uma grande eng quimica e hj saio da faculdade sonhando em ter dinheiro para me sustentar e não depender dos meus pais. O tempo passa, as nossas obrigações aumentam e precisamos tomar atitudes parar cumprir com elas. Acredito que independente das nossas atitudes se elas forem tomadas com boas intenções, elas irão nos levar sempre para um lugar bom. Adorei o texto Rai...faz a gente refletir bastante. =D Ass.: Caroline Araújo.

Raisa Moreno disse...

Pois é, meninas, essa coisa de ter uma profissão é uma decisão complicada mesmo, principalmente porque isso é cobrado pra nós muito cedo. Imaginem que responsabilidade enorme é determinar sua vida vida profissional aos dezessete/dezoito anos?! Eu mesma faço seiscentos planos todos os meses, mas nunca unzinho sequer dá certo. Ainda tô um tanto longe dos trinta ou quarenta, mas como Carol disse: "o tempo passa rápido". E é isto que me assusta! Outro dia estava começando meu primeiro ano do ensino médio e agora já tô trabalhando. Foi tudo muito rápido que eu ainda não me acostumei com a ideia de que estou crescendo.
E, Rafa, das duas uma: ou eu me acomodo, ou eu fico louca por estar fazendo a mesma atividade todos os dias até eu me aposentar! Eu sou meio ansiosa, quero abraçar o mundo todo e de uma só vez. E já me passou pela cabeça várias vezes que se eu fosse uma pessoa sozinha, viveria nessa vida mesmo de pular de galho em galho, de conhecer um pouquinho de cada coisa...