Embora bem agasalhado, seu corpo não podia negar o tempo frio daqueles dias.
"Os dias estão frios" – pensou alto, refletindo sobre a ambiguidade da palavra "frios" para si próprio.
A rua não estava nem vazia nem lotada, porém do lado esquerdo, ele não sabia por quê, havia mais gente andando. Escolheu o direito para fazer seu percurso pois por ali poderia andar devagar e menos atento ao movimento urbano. Ainda assim a atenção a si mesmo era desviada quando se dava de cara com um carro estacionado na calçada, uma vazamento de água ou um mendigo dizendo "um trocado, senhor, que eu tô com fome". Odiava essas coisas e culpava os humanos de todo o mundo por tais situações. Na verdade, a raiva dessa espécie só crescia naquele instante.
– Que diferença faz optar por um lado ou por outro? O caos tão óbvio mas intocável a muitos toma e vai além, muito além, desta rua.
Reparou nas contas em seus bolsos. Elas não somavam um valor muito alto para um homem de um salário razoável, jovem, fisicamente sadio, sem esposa e sem filhos – sozinho. Decidiu, assim, desviar seu caminho da loteria e deixar as contas pra depois.
Quando chegou aonde quis ir, não sentiu o aconchego que procurava ali, naquele ambiente de pessoas espiritualmente mórbidas. Talvez sua carência só se ilhasse depois de umas doses de Red Label. Escolheu uma mesa para dois lugares, sentou-se e ficou ali parado, contemplando um cinquentão lá no fundo chamando o garçom:
– Ô Cometa, mais uma 51 aqui, pra mim!
Agora chegava outro atendente, meio emburrado:
– E o senhor, vai querer o que?
– Ah! Um Red L... – respondeu, saindo de sua dispersão. – Não, um Campari.
Uma. Duas. Na terceira dose todo aquele álcool era a dormência em seu juízo e a camisa de força prendendo a angústia, o arrependimento e a solidão por algumas horas. Na quinta, deu risada ao comparar o gosto de Campari ao dos remédio que tomava na infância. Mas eram diferentes, tinham funções e efeitos diferentes. Enquanto um era para gripe, anemia ou qualquer outra doença, o outro servia para esconder suas lástimas.
Não tivera algo para amar de verdade em sua vida. Tudo vinha e ia, mas o Álcool agora, se tornaria presente em sua vida para sempre.
Álcool queimava, porém depois aquecia a garganta.
"Os dias estão frios" – pensou alto, refletindo sobre a ambiguidade da palavra "frios" para si próprio.
A rua não estava nem vazia nem lotada, porém do lado esquerdo, ele não sabia por quê, havia mais gente andando. Escolheu o direito para fazer seu percurso pois por ali poderia andar devagar e menos atento ao movimento urbano. Ainda assim a atenção a si mesmo era desviada quando se dava de cara com um carro estacionado na calçada, uma vazamento de água ou um mendigo dizendo "um trocado, senhor, que eu tô com fome". Odiava essas coisas e culpava os humanos de todo o mundo por tais situações. Na verdade, a raiva dessa espécie só crescia naquele instante.
– Que diferença faz optar por um lado ou por outro? O caos tão óbvio mas intocável a muitos toma e vai além, muito além, desta rua.
Reparou nas contas em seus bolsos. Elas não somavam um valor muito alto para um homem de um salário razoável, jovem, fisicamente sadio, sem esposa e sem filhos – sozinho. Decidiu, assim, desviar seu caminho da loteria e deixar as contas pra depois.
Quando chegou aonde quis ir, não sentiu o aconchego que procurava ali, naquele ambiente de pessoas espiritualmente mórbidas. Talvez sua carência só se ilhasse depois de umas doses de Red Label. Escolheu uma mesa para dois lugares, sentou-se e ficou ali parado, contemplando um cinquentão lá no fundo chamando o garçom:
– Ô Cometa, mais uma 51 aqui, pra mim!
Agora chegava outro atendente, meio emburrado:
– E o senhor, vai querer o que?
– Ah! Um Red L... – respondeu, saindo de sua dispersão. – Não, um Campari.
Uma. Duas. Na terceira dose todo aquele álcool era a dormência em seu juízo e a camisa de força prendendo a angústia, o arrependimento e a solidão por algumas horas. Na quinta, deu risada ao comparar o gosto de Campari ao dos remédio que tomava na infância. Mas eram diferentes, tinham funções e efeitos diferentes. Enquanto um era para gripe, anemia ou qualquer outra doença, o outro servia para esconder suas lástimas.
Não tivera algo para amar de verdade em sua vida. Tudo vinha e ia, mas o Álcool agora, se tornaria presente em sua vida para sempre.
Álcool queimava, porém depois aquecia a garganta.
Um comentário:
Rai
Tinha me esquecido o endereço de seu blog, lembro que vc tinha comentado uma vez no meu blog antigo e desde então acabei por perder o link do seu. Saiba que embora minha visita tenha sido breve gostei muito de tudo que li por aqui, continue assim. Aproveito para agradecer por ter dado uma passadinha no meu humilde blog ^^
Beijos
Seu,
Bruno Carvalho
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