terça-feira, 17 de julho de 2012

Orgulho e Opinião

Uma coisa inédita está acontecendo: pela primeira vez, em quatro anos de blog, atingi um número de postagem maior que dois num espaço curtíssimo de tempo. É possível que as coisas continuem por este caminho enquanto, inexoravelmente (e talvez orgulhosamente), não sou absolvida por mim mesma de minha própria reclusão.
Hoje estou escrevendo justamente por causa do Orgulho. Durante nosso almoço, comentei com uma colega sobre um impasse pessoal envolvendo vontade de demonstrar afeto, mas ter o Orgulho como empecilho proibidor do primeiro. Ela confirmou: "é, você tem que deixar de ser orgulhosa". Consenti. Ela continuou dando sua opinião sobre mim: "talvez você não seja assim mesmo, mas você passa um ar de não estar nem aí pra a opinião dos outros. Você tem que escutar os mais velhos; eles realmente são pessoas mais experientes, sabem mais que a gente... às vezes tenho até medo de dizer alguma coisa pra você".
Fiquei meio espantada e quase não consegui falar. Eu já imaginava quais palavras seriam proferidas por ela depois que eu falasse. Para constatar, comecei: "não, mas eu não acho que isso seja orgulho...". 
" vendo aí como você falou agora?"
Me calei, mas não consenti. Calar não é consentir para nós medrosos; na nossa vida, calar é guardar aquelas coisas - muitíssimas, por sinal - as quais só a gente entende. Mas felizmente tenho meu blog, minha certa habilidade com palavras e minha vontade de me expressar. Sou desengonçada ao dar conselhos. Um momento: não, eu não dou conselhos. Gosto de ouvir as pessoas falando para mim e de falar para elas com toda a liberdade possível, sem ofensas e sem agressões. E no meu ponto de vista, "a gente só cresce através da gente mesmo". Precisamos de experiências próprias, de erros, de um pouco de sujeira e de maldade. Não levo fé que alguém muda por vontade própria ou por Fulano ter aconselhado ele a seguir outro caminho; não, a mudança é intrínseca. Eu tenho minhas opiniões, minhas visões e não vou deixar elas de lado até a constante transição me levar a ser outra Raisa com outras opiniões e outras visões. Isto não significa orgulho, pois estarei sempre aqui disposta a ouvir alguém discordando de mim com bom senso. E não vejo o menor problema em dizer, no meio de uma conversa: "é, você tem razão" se eu conseguir enxergar por aquele ângulo.

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