sexta-feira, 16 de novembro de 2012

À ventura (parte II)

É claro que  fiquei intrigada pela imensa semelhança entre o animalzinho da fotografia e o que estava no meu colo, porém o cartaz nada mais dizia. Fui à barraca de doces no largo e procurei informação:
- Boa tarde, a senhora sabe quem pôs aquele cartaz ali? É que esse cachorrinho é bastante parecido com o da foto e eu o achei na rua, mas não diz muita coisa no papel.
- Não sei não. Nem tinha visto aquele cartaz ali, só vi agora que você mostrou. Não sei como querem achar o bicho se não põe nem nome e telefone!
- Pois é, fica complicado...
 Observei o cartaz novamente, com atenção a todo pormenor e assim achei, no cantinho, quase inotáveis, os seguintes símbolos numéricos: 1/7. Um sétimo de quê? Associando Matemática à Poesia, só pude deduzir que se puseram em quase todo lugar, aquele papel era só um de mais sete (que nem é um número tão grande, mas tudo bem). Tomei a ousadia de arrancar o cartaz da árvore. Mais uma supresa: o verso dizia:
TERCEIRO POSTE
 À DIREITA
 Fiz o trajeto até o terceiro poste à direita, e como esperei, mais um cartaz quase igual ao outro: a mesma foto, o mesmo "procura-se", mas outros versos e um 2/7 no canto.

Alto aqui do sétimo andar
longe, eu via você
e a luz desperdiçada de manhã
num copo de café
Não havia sétimos andares por ali, mas no verso da folha de papel couchê tinha escrito:

FARMÁCIA PAGUE MENOS
E lá fui eu, mas de ônibus, pois já estava quase esgotada. Minhas únicas motivações para estar prestando papel de detetive era a curiosidade e a vontade de não deixar o bichinho pelas ruas. Existia um muro entre a farmácia e o estabelecimento ao lado; nesse muro, vários cartazes de "vende-se casas" e entre eles, um distinto, pelo menos para mim. Era o 3/7.

Deus sabe o que quis foi te proteger
do perigo maior, que é você
E no verso:
AMENDOEIRA. 
PRAÇA ARTUR LAGO

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