segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

O que a autocobrança me faz

Estou sempre entre a autocobrança e a autoinsatisfação. O que é difícil para uns, eu considero impossível para mim. Eu não vejo qualidades em quem eu sou, embora não me ache má pessoa. Eu sempre me acho incapaz. Talvez eu esteja num lugar de comodismo que me diga “ok, se veja como um zero à esquerda, pois é mais fácil ser um zero à esquerda que assuma ser um zero à esquerda do que ser um zero à esquerda que acha pode melhorar”. Esta não é uma guerra entre mim e os outros. É entre mim e mim mesma. É entre uma Raisa que quer se olhar e se ver como alguém interessante e outra que não acredita nisso. Conheço muitas coisas que ainda não internalizei. Sei por onde deveria ir, é fácil para mim chegar a conclusões, a conselhos de mim para mim (difícil é pô-los em prática). Eu não devo tentar agradar aos outros. Eu preciso acreditar que eu esteja indo pelo caminho certo sem me preocupar com o que acham de mim. Não preciso tentar ser a filha perfeita, a amiga perfeita, a funcionária perfeita, a estudante perfeita, porque EU NÃO SOU PERFEITA. EU NÃO SOU PERFEITA. EU NÃO SEREI PERFEITA. E não há NADA de errado nisso. Eu sou humana, e, sim, errar é humano. Por que eu ainda não internalizei, não absorvi, não me comporto como tal? Por que eu tenho TANTO que evitar errar? Evitar o erro é terrível. Daqui a uma semana irei apresentar um debate literário sobre um livro de crônicas indígena, mas sou péssima em fazer paralelos da literatura com a vida real. Eu não sei criticar as histórias, não sei analisá-las. Todas as minhas análises são cópias de outras análises, sabe? É como se eu precisasse sempre estar concordando com alguém.  Eu tentei escrever algo sobre os índios daquele livro de crônicas, mas não consegui. Na verdade, nem pensar eu consegui. E eu odeio me forçar às coisas. Não sei não levá-las tão à sério. Eu tenho medo de críticas. Qualquer “isso que você tá falando é um absurdo”, “você é louca por pensar assim” me fere profundamente. E por ter medo de me ferir profundamente, eu deixo até de saber quem eu sou, o que eu penso e do que eu gosto ou não gosto. Eu sempre me calo, eu consinto. Digo aquele “é...” bem reticente, incompleto de mim mesmo. Eu odeio brigas. Eu odeio me machucar. Talvez eu ache que a minha verdade seja universal e por isso é um uma infâmia que alguém agrida ela. 

Um comentário:

Joana-cbr disse...

veja o meu blog
http://teensconfusing.blogspot.pt/