quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O poder que elas têm

Puseram os óculos no rosto ao acordar
Abriram a porta do banheiro
para que fosse feita a execução
das atividades fisiológicas matinais
Lavaram-se uma à outra
Depois uma afagou a cabeça do filho
E as duas lhe tocaram as costas
Formando um abraço
quando ele saiu dos braços de Morfeu

Acenaram para o ônibus parar
Veículo lotado.
Seguraram firme nas hastes metálicas
porque são fortes,
assim como Sansão se manteve.

Chegando ao trabalho,
puseram-se a digitar
e a tirar o telefone do gancho quando necessário
Serviram o almoço que lhes nutriria
pelas demais horas


Ao fim da tarde:
Acenaram para o ônibus parar
Veículo lotado.
Seguraram firme nas hastes metálicas
porque são fortes,
assim como Sansão fora.

Rápidas e apressadas,
livram-se das roupas,
ligam a válvula do chuveiro.
Vestem outras limpas
Servem o jantar
Preparam a comida
do dia seguinte

Ligam a tevê.
(Passa-se uma hora)
Desligam a tevê.
Acendem um cigarro.
Se jogam na cama e repousam.

Elas nunca falam,
não precisam de voz
Porque encostando o indicador no lábio,
todos sabem o que quer.
Porque segurando uma batuta,
é capaz de reger uma orquestra.
Elas são menores que as pessoas
mas abrigam muito de nós.

Pode apertar as minhas quando lhes vir
"Prazer, somos as mãos",
lhe insinuarão elas.

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