sábado, 23 de agosto de 2014

Enxergando com fones de ouvido

Meus fones de ouvido funcionam como uma chave de mim mesma às vezes. Me sinto tão diferente quando estou com eles: tão eu mesma. E quando a gente é tão a gente mesmo, a gente acaba não se reconhecendo.
 É difícil de explicar e de entender, é indescritível minha relação com música: não tenho banda ou cantor favoritos, não sei diferenciar estilos (dará no mesmo você me dizer que Pantera é Thrash ou Heavy Metal ou que existe diferença entre pagode e samba -  sendo sincera, para mim isso pouco importa). Também não conheço álbuns completos e é meio difícil me dispôr a ouvir uma canção nova com empolgação; sou inerte neste sentido. Ainda assim, me declaro dona de uma paixão indescritível por música, do tipo que  faz cara feia quando alguém me faz tirar meus fones de ouvido para me falar qualquer coisa e, consequentemente, me faz parar de cantarolar para responder. 
Chega até a ser pecado dizer isto , mas entre melodia, intérprete, riffs e mais uma centena de aspectos sobre os quais não entendo, a letra, dentro de minha ótica, representa uns 75% de uma música, mesmo quando eu não capto o que ela quer dizer. Surge até um hobby a partir daí: tentar compreender, achar um sentido, às vezes por anos e anos, numa letra, adivinhar a mensagem escondida atrás de metáforas, hipérboles, pleonasmos e todas as outras figuras de linguagem permissíveis nessa arte chamada Música.  Penso que tal falta de clareza acontecesse pois ainda não estou madura o bastante, não vivi o suficiente para aquilo fazer sentido (mas não me importo, sou desobediente e tento desvender as coisas que ainda não sou capaz). Afinal, músicas contam nossas vidas... ou fatos, ou sonhos, medos.
 Uma vez vi uma entrevista - muito rica, por sinal - com Marilyn Manson, na qual ele dizia:

 "(...)Mas música sempre foi um esconderijo pra mim, era um lugar onde não havia julgamentos, um lugar onde eu não precisava pensar sobre o mundo real, um lugar onde eu podia ser eu mesmo." 

Concordo em cheio. Adoro ouvir bandas barulhentas e agitadas como Motorhead ou Korn quando estou irritada, só me lembro de Meu Mundo e Nada Mais (Guilherme Arantes) quando passo por momentos de reconstrução; as dores de cotovelo cantadas por Fagner já me serviram muito de alicerce por causa amores que deram errado; Matanza me diverte; Britney Spears geralmente me ajuda a correr na esteira quando estou na academia e acho linda a mensagem que É Tão Lindo (Balão Mágico) quer passar.
 Quando uma música toca, ela também toca minha alma me fazendo até dançar de um jeito ridículo e desajeitado, mas feliz, muito feliz. Ou muito emocionada. Eu realmente não sei explicar. É como se eu atingisse um orgasmo e o mundo pudesse acabar, que eu estaria feliz, relaxada ali, numa paz serena e introspectiva. Me sinto como aquela coisinha que deu origem ao mundo segundo a Teoria do Big Bang, sabe? Miudinha, mas como uma força imensa dentro de mim, que explode dando origem a um universo muito maior que eu mesma.

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